Hospital Colônia é oficialmente fechado: últimos sobreviventes são transferidos
Conhecido historicamente pela violação de direitos humanos, Hospital Colônia é fechado após 115 anos
Vitória Maranhão
O Hospital Colônia de Barbacena (MG), conhecido historicamente pela violação de direitos humanos, teve suas atividades encerradas na última segunda-feira (25/05), após a transferência dos últimos pacientes para uma unidade residencial terapêutica na zona rural da cidade.
O local, marcado por superlotação, abandono e violência, iniciou o processo de desinstitucionalização na década de 1980, mas só teve seu ciclo definitivamente encerrado nesta semana. A transferência dos últimos sobreviventes, iniciada em maio, simboliza o mês da Luta Antimanicomial.
Ao todo, 14 idosos - sendo o mais velho de 91 anos - ainda residiam no antigo hospital psiquiátrico. Muitos deles foram internados quando crianças ou jovens, sem diagnóstico médico. Segundo o Governo de Minas Gerais, eles perderam os vínculos familiares, não falam e demandam cuidados muito específicos de saúde. “Tínhamos ainda 14 moradores com doenças graves que não poderiam e não conseguiriam ir para a residência comum. Então nós, junto com o município de Barbacena, criamos um serviço de residência terapêutica específico, com equipe multidisciplinar, para proporcionar dignidade a eles”, afirmou o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti.
A medida encerra um dos períodos mais cruéis da história do país. A instituição ficou conhecida por sua conduta desumana: pelo menos 60 mil pessoas morreram entre os muros do maior hospício do Brasil, conforme relata a jornalista Daniela Arbex em seu livro “Holocausto Brasileiro”.
O evento de encerramento contou com a presença de ex-pacientes, autoridades regionais e estaduais, além de convidados. O ponto final dessa trajetória foi simbolizado com o fechamento da porta do Pavilhão Antônio Carlos com um cadeado. "É um momento de reparação histórica, de passar um cadeado definitivo nesta história de dor e também relembrar que este é um passado que jamais deve se repetir", disse Bento, um dos pacientes remanescentes.
O fim deste capítulo, marcado por décadas de exclusão, representa uma vitória para a antiga luta de inúmeros cidadãos que foram silenciados ao terem suas identidades apagadas no Hospital Colônia.
