FIC por Dentro. Produções laboratoriais de jornalismo.

UFG celebra 60 anos do curso de Jornalismo com histórias de pioneirismo e resistência

Os que correram para nós andarmos.

A Universidade Federal de Goiás deu início às comemorações pelos 60 anos do curso de Jornalismo com uma solenidade realizada no auditório da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC), no Campus Samambaia, em Goiânia. O evento marcou oficialmente o jubileu de diamante do curso mais antigo de Jornalismo em Goiás e reuniu professores, estudantes, egressos e convidados.

A abertura contou com a palestra “Ética e Humanidade na Era da IA”, ministrada pela jornalista Olga Curado, trazendo reflexões sobre os impactos das novas tecnologias no exercício profissional e reforçando o papel humanístico do jornalismo diante dos avanços da inteligência artificial.

Fundado em 1966, o curso de Jornalismo da UFG é considerado pioneiro no estado e acumula, ao longo de seis décadas, histórias marcadas por desafios estruturais, resistência política e transformação acadêmica. Entre essas trajetórias está a de Laurenice Noleto Alves, de 77 anos, integrante da segunda turma do curso, aprovada no vestibular de 1968.

Laurenice relembra que cursou a graduação durante o período da ditadura militar, contexto que, segundo ela, influenciou diretamente a formação ética e profissional dos estudantes da época.

“Aquilo colocou a gente diante dos desafios que a profissão teria. O compromisso era colocar a verdade para o cidadão acima das imposições da ditadura”, afirma.

A ex-aluna também recorda as dificuldades estruturais enfrentadas pelas primeiras turmas do curso. Segundo ela, os estudantes não possuíam salas próprias nem equipamentos adequados para as atividades práticas.

“Foi tudo muito primário, de pioneirismo mesmo. Sim, nós fomos pioneiros mesmo”, relembra.

Em determinado momento, o prédio utilizado pelo curso chegou a ser interditado após o surgimento de rachaduras na estrutura. Os alunos foram transferidos para salas da Faculdade de Veterinária, enquanto buscavam alternativas para continuar frequentando as aulas. Na época, o transporte coletivo até o campus era limitado, e estudantes que possuíam carro costumavam oferecer carona aos colegas.

“Tinha colega que levava até dez pessoas dentro de um carro”, conta Laurenice.

Além das dificuldades acadêmicas e estruturais, Laurenice destaca os desafios pessoais enfrentados durante a graduação. Filha de uma família com onze irmãos, ela foi a primeira a ingressar no ensino superior e afirma não ter tido apoio ou referências acadêmicas dentro de casa. Um dos principais incentivos veio do professor Sérgio Paulo Moreira, lembrado por ela como fundamental em sua formação.