Anticoncepcional no Tik Tok vira bomba de desinformação

Em setembro de 2025, levantamento da Ipsos com 800 brasileiras de 18 a 60 anos, a pedido da Bayer, revelou que 59% recorrem ao ambiente digital como principal fonte de informação sobre saúde – índice que sobe para 62% entre as mais jovens (18 a 29 anos). Enquanto adolescentes buscam as redes por falta de orientação familiar e receio de diálogo, jovens adultas o fazem por frustração com efeitos colaterais causados pelos métodos, usando essas plataformas para compartilhar experiências e dúvidas.

Infelizmente, os vídeos produzidos no tik tok que falam sobre anticoncepcional, DIU e o recente Implanon seguem um padrão de “demonização” dos efeitos que os hormônios podem causar na mulher. E quando o assunto é causar medo, é claro que o discurso religioso está presente. Este recomenda que mulheres não usem métodos contraceptivos pois: “Deus fez o corpo femino para reproduzir” ; “A igreja não apoia hormônios controlarem seu ciclo”; “Não se deve impedir aquilo que Deus fez” e “É pecado”.

Os conteúdos pesquisados apontam que a bula da pílula anticoncepcional é tratada como uma “bomba de hormônio” devido ao tamanho do papel, sendo a trombose um dos principais efeitos usados para causar medo. Já sobre o DIU, é destacado um aumento absurdo de peso, fluxo de sangramento contínuo e a divulgação de casos raros de bebês nascendo com o DIU na mão como se fossem comuns. Quanto ao Implanon, está sendo acusado de ter eficácia questionável por ter se tornado mais acessível nos últimos anos.

Discursos assim estão conseguindo muito alcance, cujo único objetivo é lucrar em cima de inseguranças femininas. Antes do medo, é preciso levar em consideração a diferente rotina, alimentação e o organismo de cada mulher, também não questionam a quanto tempo essa pessoa teve acompanhamento profissional para saber se o método estava vencido ou mal colocado. Afinal, se todo organismo fosse igual não teríamos métodos variados, pois existe sim a possibilidade de escolher o que mais se adequa a seu corpo.

Embora trombose e outras questões estéticas mereçam atenção, vale a pena se perguntar: você já leu a bula com calma? E mais: se esses riscos realmente se aplicassem ao seu caso, seu médico não teria feito essa prescrição. Um método com potencial de causar trombose, por exemplo, não é indicado para quem já tem esse histórico e o mesmo vale para outras preocupações. Nem tudo é tão alarmante quanto parece nos vídeos do TikTok. A bula existe justamente para orientar com segurança, evitando que você se perca em pesquisas e conteúdos pouco confiáveis.

Em busca de orientação, um profissional é sempre a melhor opção. Mas para contrapor às buscar no tik tok, procure ginecologistas verificada nas redes sociais e não pessoas anônimas. A Ginecologista e influenciadora Maju Ferreira, utiliza as redes para desmentir os conteúdos sensacionalistas que são propagados, a mesma explica com dados e fundamentos científicos como cada método é feito. A influenciadora também reconhece seu lugar e sempre orienta a buscarem acompanhamento ginecológico. Seguindo uma lógica diferente que o padrão de disseminação utiliza.

 

Artigo de opinião produzido na disciplina de PTJ 3, por: Geovanna Siqueira

 

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