O Tiktok arruinou e salvou a minha paixão por séries, contém spoilers
“Descanse em paz, Jacaerys Velaryon, nós mal te conhecemos — principalmente eu que nem HBO Max tenho”.
Esta semana começou difícil. Após o aguardado domingo em que eu e milhares de fãs de A Casa do Dragão esperávamos ansiosamente para ver a Batalha da Goela estrear a terceira temporada da série, finalmente pudemos ver nosso Targaryen de cabelo preto favorito ser peneirado de flechas e afundar no mar. Descanse em paz, Jacaerys Velaryon, nós mal te conhecemos — principalmente eu, que nem HBO Max tenho.
No TikTok, pudemos ver por meses uma ilustração oficial da morte do príncipe herdeiro dos Pretos no livro, na qual ele aparece boiando em um pedaço de madeira chamuscada, ao som de músicas tristes de fundo ou áudios como 'eu vou com ele, eu vou, eu quero ser enterrado junto!'. Além dos diversos edits, na semana passada recebemos spoilers do episódio completo que havia supostamente vazado, e agora, com o lançamento oficial, 'nós vimos' que era tudo verdade. Eu não assisti; vi cenas, comentários e edits na própria plataforma. Por não ter acesso ao serviço de streaming, escolhi beber do cálice do vazamento — mas nossa, essa rede não é nada séria.
O streaming de estimação lá em casa é a Netflix; este mês, em específico, temos Netflix e Prime Video. Quanto à aquisição do segundo, ela aconteceu após eu passar quase um mês inteiro salivando nos edits dos quatro refrigeradores Electrolux duas portas de Off Campus e implorar ao meu pai para pagar um mês. Não contei o motivo, é claro, só disse que lá tinha muita coisa que eu queria assistir. E tem mesmo. Eu me interessei por muitas produções da plataforma através do meu vício não assumido em rolagem infinita.
Falando no diabo, a Netflix quase comprou os direitos da Warner Bros. Discovery no final de 2025. Embora esse 'atentado' resolvesse o meu problema de falta de acesso a filmes e séries de diferentes corporações — inclusive do universo de Game of Thrones, que sempre amei —, como fã eu ficaria preocupadíssima em ver produções sofisticadas passarem pelo moedor de carne do 'efeito Stranger Things'. Que, aliás, já moeu a indústria toda: nenhum estúdio quer mais fazer uma temporada com cerca de 20 episódios de até 40 minutos, nos quais a história e os personagens vão ser de-sen-vol-vi-dos!
E a empresa que mais produziu séries apaixonantes e as cancelou na segunda temporada — e que produziu séries completas, mas resolveu apagá-las — foi a Netflix. Por isso, não assisto mais a séries novas por lá e fico vendo apenas edits até ter certeza de que vão produzir tudo até o fim. Mas ainda tem o risco de ela apagar tudo. Qual o sentido de remover o seu catálogo original, afinal? Deixo aqui meu tributo para She-Ra e as Princesas do Poder, que mudou a minha vida. E falando no outro diabo, alguns fãs resolveram postar no TikTok todas as temporadas de She-Ra para evitar que a série virasse Lost Media. Até que essa rede vale a pena. Às vezes.
Enfim, apesar de todos esses detalhes, tenho que reconhecer que o aplicativo é prejudicial. Às vezes, me pergunto se tenho déficit de atenção ou se o meu sistema de recompensa cerebral ficou dependente de edits emocionantes, feitos provavelmente por adolescentes problemáticos. Mas, de qualquer forma, enquanto eu tiver um salário de estagiária e um TCC para fazer, a resolução desse problema vai ficar para depois. Mal posso esperar para o próximo domingo, de acordo com os vazamentos está babado, viu?
Crônica produzida na disciplina de PTJ 3, por: Ana Júlia Mendes
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