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Nova cepa de vírus da mortal foi descoberta: saiba se você pode ser contaminado

Semana passada, prostrada na cama com um lenço na mão e em posição fetal, escutei minha irmã falar em uma ligação com seu namorado: “Nossa, mas a Andressa tá com gripe masculina”. Se eu tivesse forças, iria pular da cama. Ser comparada a um homem naquela situação doeu tanto quanto a tosse que vinha pela garganta inflamada. Poucos dias depois, ao ler um livro, em uma cena que descrevia um parto, a médica falava para a mãe, depois de — literalmente — parir a criança: “Parabéns, você entendeu a dor que um homem sente ao estar gripado”.

Eu me indignei! Ficou claro para mim que não, nós, mulheres, não temos o direito de sentirmos dor. Expressar claramente que, sim, eu estou quase indo fazer companhia para Simone de Beauvoir no além de tanta dor que estou sentindo, me torna menos mulher? Me rebaixa ao nível de ser comparada com um homem?

Acho que todos nós conhecemos a gripe masculina; tive um exemplo típico bem próximo de mim. Enquanto eu estava subindo uma ladeira para chegar ao ponto de ônibus no sol de meio-dia, sentindo meu útero se contrair de formas inimagináveis (estava com cólica), meu namorado estava me mandando mensagem falando que estava voltando para casa.

O tadinho da Silva estava com gripe, com coriza e nariz congestionado e uma grande indisposição. Nesse dia eu fui mulher aos olhos da sociedade: engoli minha dor e fui para o estágio como se nada estivesse acontecendo. Mas ao meu namorado foi liberado que ele demonstrasse o quão seu estado de saúde estava degradante.

Por que normalizamos a dor física das mulheres? Porque não podemos nos prostrar da mesma forma que os homens? Poxa, eu só queria deitar na minha cama e fazer essa gripe passar o quanto antes e não ser comparada a um homem mediano que nunca entenderá o que é sentir uma cólica, caramba!

Por Andressa Bueno

Categorie: Opinativo Crônica