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A necessária representatividade real

A presença de mulheres negras no jornalismo brasileiro revela avanços, mas evidencia os desafios persistentes nas posições de destaque

Nos últimos anos, é perceptível que houve um avanço na presença de mulheres negras no mercado de trabalho. No entanto, esse crescimento ainda está longe de representar igualdade. Dados do IBGE evidenciam que cerca de 41,9% dessas mulheres permanecem na informalidade, algumas sem uma visão de futuro por não terem tido chances de uma capacitação no estudo. Desses fatores, podemos nos questionar, até que ponto esse avanço é significativo?

No jornalismo, essa desigualdade se manifesta de forma ainda mais evidente. Embora haja um aumento no número de mulheres negras estando na área, o preconceito continua sendo uma barreira constante. Casos de racismo, como o sofrido pela jornalista Luciana Barreto após se posicionar contra práticas discriminatórias em seu momento de trabalho na Agência Brasil Central, após comentar a fala do presidente da Conmebol sobre a participação do Brasil na Libertadores, demonstram que essas profissionais não enfrentam apenas os desafios da profissão, mas também a violência racial em seu dia a dia. Isso demonstra que o ambiente jornalístico ainda, infelizmente, não é seguro nem justo.

É importante destacar que a presença não significa, necessariamente, a representatividade real. Percebemos que mulheres negras raramente ocupam cargos de liderança nas redações, permanecendo, em sua maioria, em posições com menor visibilidade e poder de decisão, às vezes nem mesmo sendo ouvidas quando discorrem suas opiniões. Essa ausência nos espaços de comando impacta diretamente a forma como as notícias são produzidas, principalmente na construção de pautas dentro da redação, havendo uma necessidade de agregar opiniões de quem sofre na pele com a invisibilidade diariamente. Não sendo ouvidas, é possível haver menor visibilidade de exemplo, principalmente para aquelas que desejam entrar nesta profissão.

Também percebemos a sobrecarga enfrentada por essas mulheres. Muitas acumulam várias jornadas de trabalho, conciliando emprego, responsabilidades de casa e, em alguns casos, atividades informais para agregar em sua renda. Esse cenário não apenas dificulta o crescimento profissional, como também reforça desigualdades históricas que continuam sendo não sendo percebidas pela sociedade, principalmente quando envolve uma diferença salarial entre homens e mulheres, que se iniciou nos anos de 1930, período em que a classe trabalhadora abriu a mão de obra para mulheres estarem inseridas na indústria e comércio, porém que, mesmo com essa revolução, ainda passam pela desigualdade social em suas profissões.

Nessa realidade podemos dizer que não basta que empresas de comunicação adotem discursos superficiais sobre diversidade. Se não, até quando veremos situações de discriminação, como ocorreu com a jornalista Luciana, em nosso dia a dia? É urgente a agregar políticas concretas que promovam a inclusão e que combatam o racismo estrutural dentro das redações e no jornalismo. Garantir espaço, voz e segurança para mulheres negras não deve ser visto como um favor ou uma tendência, mas como uma necessidade para a construção de um jornalismo verdadeiramente democrático.

A continuação da desigualdade no jornalismo revela que ainda há um longo caminho a ser percorrido com a luta das mulheres negras por espaço nessa área e, acima de tudo, uma luta por respeito, visibilidade e pelo direito de contar suas próprias histórias. Não sendo observada essa realidade, é dar continuação a mais mulheres a serem atingidas pelo preconceito e pelo racismo dentro da profissão de jornalista, havendo a necessidade de ouvir e entender o lado que está sendo oculto para ocorrer transformações e mudar essa realidade no jornalismo brasileiro.

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